sexta-feira, 6 de abril de 2012

Papo com a Chef Lucimeire Sifuentes



Esse papo com a chef é muito legal a história dela e também é uma surpresa que fazemos pelo nosso querido Chef Angello Omar. Leiam, aproveitem e se emocionem.

          Sou Lucimeire Sifuentes, 45 anos, solteira e sem filhos. Hoje resido em na cidade de Cascavel no Paraná  e atualmente estou coordenando o curso de Gastronomia da UNIVEL, e ministro  aulas  de Bases de Cozinha, panificação e confeitaria. Mas para chegar até aqui, percorri  muitos caminhos.... Minha relação com a gastronomia teve inicio desde criança, pois minha mãe, Dona Rosa, sempre foi uma cozinheira de mão cheia. Quando pequena rondava a cozinha, mas a mãe não deixava chegar perto das panelas, isso só ocorreu por volta dos meus 13 anos, quando meus pais se mudaram do Brasil para o Paraguai,  no interior desse país eles abriram um restaurante e minha mãe era a cozinheira, naquela época não se falava em “chefe de cozinha”, e eu virei auxiliar de cozinha. Época difícil onde se tinha que cozinhar em fogão de lenha e muitas vezes tirar água do poço, energia elétrica era artigo de luxo, portanto nada de facilidades, tudo era com muito trabalho, não existia freezer, tudo produzido na horta, os animais criados e abatidos por nós, todos os alimentos tinham que ser frescos, a comida era maravilhosa, os clientes faziam questão de viajar muitos quilômetros para saborear as delicias que saia daquela cozinha... e assim fui crescendo no meio dessas panelas, fiquei até meus 18 anos. Mas precisava estudar, voltei para o Brasil e retornei aos estudos, estava muito atrasada, no quinto ano ainda, bom estudei com vontade e não dei trégua para o desanimo, fiz magistério, fui trabalhar com pré-escolar, depois veio faculdade de pedagogia e pós-graduação em psicopedagogia, sempre trabalhando como professora, a cozinha ficou no passado. Com 29 anos voltei morar com meus pais no Paraguai, lá fui trabalhar em uma empresa agrícola, aprendi tudo sobre agricultura, uma experiência que coloco em minhas aulas hoje.Nesse tempo meu pai, Seu José, resolveu abrir outro restaurante, mas para uma de minhas irmãs que morava no Brasil, fiquei muito feliz, e lá estava eu metida novamente no meio das panelas, acabou sobrando para mim, montar todo o restaurante. Ahhh quanta besteira fiz, hoje vejo...rsss, agora percebo o que a falta de conhecimento da teoria  faz a gente cometer muitos erros. Depois de pronto, costumava ir dar uma mãozinha na cozinha, no cardápio, no salão em fim vivia metida por lá. Mas como tinha muitos afazeres na empresa de agrícola e também estava ajudando a organizar uma escola direcionada aos filhos dos imigrantes que lá viviam, meu tempo era muito corrido, então me afastei do restaurante. E mais uma vez meu prazer ficou de lado. Até que em final de 2005 resolvi que deveria dar uma chance a mim mesma, e tomar outro rumo para minha vida. Nas férias de final do ano, passeando pelo Rio Grande do Sul, no saguão de um hotel, folheando uma revista, encontrei um anuncio de uma escola de gastronomia italiana em Flores da Cunha no RS, o ICIF. Ahhh não tive dúvidas, cheguei das feiras nos primeiros dias de janeiro de 2006, pesquisei sobre o curso de gastronomia (pois nesta época nem sabia que existia graduação nessa área) e descobri que tinha um curso em Maringá. Mandei meu diploma da primeira faculdade, consegui uma vaga, pedi demissão na empresa onde fazia 10 anos que trabalhava, desmontei minha casa, arrumei meus pertences dentro do meu carro e voltei para o Brasil no final de Janeiro de 2006. Feliz da vida!!!  Me dediquei por 3 anos em tempo integral e  exclusivamente aos estudos da gastronomia, fiz graduação e pós-graduação,participava de todos os projetos que o curso oferecia, estágios em diversos restaurantes de todos os níveis, fui monitora nas aulas práticas de cozinha do curso de turismo. Foi então que decidi unir minhas duas formações a de professora e de gastrológa e me preparei para quando terminasse os estudos planejados, me tornaria uma professora de gastronomia. Terminando a graduação e a pós, fui fazer o curso que tanto queria, o curso de Chef no ICIF, exclusivo da cozinha italiana,  em Flores da Cunha, simplesmente me apaixonei ainda mais pela cozinha e aproveitei as oportunidades que a escola ofereceu em relação aos estágios, sai da escola direto para o estágio dos sonhos de qualquer estudante de gastronomia, no restaurante D.O.M. do admirável Chef Alex Atala.
  Realmente tudo parecia mágico, aprendi muito nesse período e percebi que uma cozinha bem elaborada é possível sim. Quando o estágio acabou final de 2008, retornei a Maringá, agora sim com uma bagagem enorme, mas desempregada, um desespero bateu sem tamanho, e agora o que fazer???? Eu sabia que queria ministrar aulas, então comecei a mandar currículos para todas as faculdades de gastronomia que encontrei pela frente.  Com apenas vinte dias de espera a primeira faculdade, a FAP de Apucarana entrou em contato para ministrar aulas no curso de Turismo, uma semana depois o curso de gastronomia da UNIFIL de Londrina, e 8 meses mais tarde eis que retorno como professora na mesma faculdade que me formei, no CESUMAR. Realizada e agradecida por ser indicada a esses trabalhos por minha amiga e colega de trabalho Mariana Martelli, e por meus professores Thiago Lopes, Marcos Mantovani e Fabiano Castro, que sempre me apoiaram e acreditaram em meu trabalho. Em 2010, recebi o convite da Faculdade UNIVEL de Cascavel, para estruturar o curso de gastronomia que gostariam de abrir, e em 2011 assumi a coordenação do curso e estou até hoje, fazendo com carinho e dedicação o trabalho que tanto gosto, ensinar aqueles que desejam entrar nesse mundo fascinante que é a gastronomia. Em 2012, a vida me reservou uma surpresa, para completar minha vida colocou em meu caminho uma pessoa especial, Angelo Omar, uma pessoa que veio devagarzinho e de mansinho completou meus dias, me trazendo paz, amor e muito mais alegria. Temos a mesma profissão, somos gastrologos e professores, e conseguimos dividir muito bem o fogão, se eu coloco o sal ele vem com a pimenta. E assim vamos temperando nossa vida, com muito amor e muitos sabores. 
     No ano passado em férias de uma semana com minha mãe, eu e ela, cozinhando todos os pratos que costumava fazer para nós quando criança, principalmente o seu pão, que é maravilhoso e não tem igual. Cresci vendo minha mãe fazer tudo isso, mas poder acompanhar e ajudá-la agora com todo o conhecimento que adquiri nesses anos, foi uma experiência sem igual. Pois essas preparações além de ser o alimento para o corpo, são também  o alimento da alma, a história viva de uma vida, de uma família . A linha que estudo na gastronomia é a cozinha clássica, gosto das tradições e procuro mantê-la sempre nas minhas preparações, cozinha italiana é minha paixão. O prato que me fez mais sucesso foi o meu predileto o Risoto com Verza e Salsiccia. Falando assim geralmente as pessoas torcem o nariz...rssss, mas depois que provam viram fregueses e sempre querem reprise. É um prato com ingredientes simples, mas com um sabor intenso e isso que faz ser o prato ser sucesso. Amo muito observar a expressão de surpresa que tais ingredientes tão simples podem proporcionar a quem prova. Eu tenho um sonho em minha vida que é concretizar a “Pousada dos Sonhos”, onde eu poderei colocar em pratica tudo que aprendi até hoje e que vem sendo planejada há anos. A regulamentação da profissão do gastrólogo  é muito importante, pois, já passou da hora da nossa classe se organizar e ter direitos legalizados. É preciso essa união para acabar com os abusos e a exploração da mão de obra. Bem como reconhecer e aparar o bom profissional que trabalha de forma legal e consciente.

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